O Novo Testamento segundo Mel Gibson

Baruch atzzz zzz pzzz zzz z...
Ani shzzz zzz pzzz z...
Elohim Adonzzz zzz pzzz z...
Anh?! O quê???!!! Num entendi e não tem sap...
Olha, eu resisti... sim, resisti todo este tempo e cai na tentação da paixão de Cristo segundo Mel Gibson. Não sei o q houve, confesso q dizia a todo mundo ter assistido só pra pararem de me encher o saco dizendo: "é em hebraico! e os judeus fizeram aquilo mesmo? noossa, é tão forte!". Nem mesmo o fato de me perseguirem com um pedaço de pau na rua, ou ter sido ameaçado num shopping em SP na época do filme por estar usando kepá me instigou a assisti-lo.
Acho q descuidei e entrei na onda do inconsciente coletivo cristão do último domingo em casa com o dvd na minha frente.
Era domingo de ramos, meu irmão assistiu comigo e parece ter se emocionado mesmo comigo criticando cada frame rs. A interface do dvd é chata e sombria como o Mel Gibson que deve ter feito uma grande média pra Ordem dele, q caso não saibam é a OpusDai; não muito diferente da do Bush, Schuazneger etc (Cavaleiros de Colombo), ou da nossa TFP (Tradição Família Propriedade).
Não sei pra q serve jornalista: "Raramente um filme foi capaz de provocar emoções tão fortes..." (Mariane M - IstoÉ Gente). Claro!!! Pudera! E realmente ninguém fez citação de q o filme era forte no sentido brutal e carnificeiro! 126 min de sangue aguado + plasma e pedaços de carne sendo lançados juntamente a arquétipos fraquinhos e triviais do Novo Testamento. O foco principal vai pra onde mesmo?
Que então ao menos fossem selecionados os mais intrigantes, mas não! Acho q foi dificil pra falar o mix de hebraico com aramaico e romanesco... aha, como assim? Judas falando hebraico com os sacerdotes?
Aliás... o nome Judas foi implantado naquele arquétipo sim! Por que justo Judas ou Judah? Heim? Aha... Judah, Iude, Judeu...... Sem contar os sussurros de Jesus. E aquela plaquinha gente, o q foi aquela plaquinha q colocaram na cruz!!!??? Em três línguas!!! Romano, aramaico e hebraico! Uau! Q logística foi essa?! Sem contar uma lista considerável de fatos intrigantes não traduzidos q listo depois.
Jim Caviezel lindo, fotografia interessante, roteiro péssimo e excelente deturpação, profanação (da cultura judaica) e propagação da fé cega católica q ainda gira bilhões e bilhões.
E a Madalena de canto, nem lembro dela ter abrido a boca, nem sequer um HaShem... acho q por isso o Código DaVinci fez tanto sucesso depois: "Quem seria aquela mulher do filme mesmo? Ahh, ta naquele livro da Monalisa!" Pimba!
Triste... tudo bem q assisti já ciente q eram as ultimas doze horas viscerais do "judiado" segundo Mel Gibson, mas q chato isso né?! Tem coisa legal da vida de Ioshua q valeria mais mostrar. Será q ninguém vai rodar um filme q realmente fale dos valores éticos da Obra deste cara sem chegar à crucificação? Conta la como foi a educação na India, conta la do irmão dele, da esposa, ihh... tanta coisa boa.
E ainda assim penduram aquele "crucifixozão" bem bonito de outro trocentos quilates no pescoço como símbolo. É? Símbolo de q mesmo? Símbolo de dor, sofrimento, descaso? Pra lembrar bem e ficar remoendo e cultivando o remorso carregando cruz e a piedade, dó... óoo... e o interessante é q o símbolo seria o peixe certo? Certo. E cadê o peixe? Ta no prato na sexta-feira santa, ó.
Nisto q dá o povo não ler, não questionar, não viver e ter medo de pensar. Mas ao menos vamos comer peixe, pq tem bastante potássio e fósforo e ajuda no desenvolvimento.
Mas quem sou eu pra escrever tudo isto...? Ninguém... só mais um no meio da multidão q lê um pouco e pensa... talvez isto seja perigoso, talvez esteja sendo espionado....

1 Comments:
Waw. Certamente esse é o tipo de texto que provoca as pessoas, isso me lembra um pouco aquela última rodada de discussão acerca do “EGO”.... Sim, altas dosagens disso.
Estou aqui para me juntar a você, diferente da sua rebeldia estive na pré-estréia deste filme. Não cheguei lá com pedras na mão e preferi abstrair meus preceitos acerca de tudo para ver o que eu poderia aproveitar do assunto mais que saturado através da córnea de Mel Gibson.
Achei o exercício pré-filme muito bom, mas não bastou muito para eu entender que a córnea pela qual o diretor via o mundo não é muito diferente do que eu esperava, manchada, opaca, dilacerada.
Tudo que o que evitei pensar antes da exibição me veio como um turbilhão depois, difícil descrever aqui, difícil fragar o sentimento. Fiquei lembrando de quando eu pequeno e era acordado domingo bem cedo pelos meus pais me preparando para aquele ritual de primeira comunhão católica... Fui a algumas aulas, mas já via que ali estava bem longe de ser o meu lugar... Mas eu sofria, porque ninguém aceitava a minha “rebeldia”... – Como você vai se casar depois menino?!!!!! Você tem que cumprir com os sacramentos da igreja para um dia entrar aqui como noivo e sair como marido!!!!! – Essa fala da minha vó ecoava no meu ser e eu ria ao mesmo tempo em que sentia raiva.
Fugi da igreja católica desde cedo, não fiz nenhum sacramento cabido (apenas o batismo, eu era bebê, mas isso rende outra história). Mas essa minha fuga não durou muito tempo... Porque sempre senti uma centelha divina dentro mim, não queria estar “longe”... Não queria era ouvir aquelas pessoas mascaradas, que não ouviam, não viam e não pensavam... Mas adoravam falar...
Ahhhh.... Mas nada como alguns anos vivendo dentro de um ambiente cristão-reformado-pentecostaista para entender tudo o que estou falando. Todos esses grupos condenam o ópio, tudo é ópio, tudo desvia, tudo corrompe, tudo estraga, tudo que não estiver dentro de uma minúscula lista (formulada por eles, é claro) é ópio.... Nem sabe que vivem no mais autêntico sistema que eles condenam...
Bom... Gastei minha cota de insatisfação. Fiz isso consciente de que meu texto não resolve nada, não diz nada novo, não representa a verdade absoluta, não é regra para uma vida melhor... É apenas a minha verdade e pronto....
Paz de D’us
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